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A CIDADE SEM SOBRESSALTOS COM AS CHUVAS26/03/18

Gabriel Azevedo na área!

Inundações, alagamentos, erosões, desmoronamentos... Aos 120 anos, a nossa jovem Belo Horizonte sente os  graves efeitos do descaso com que a natureza e a sustentabilidade sempre foram tratadas. Enquanto em outros países e mesmo em algumas cidades brasileiras a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável tornam-se cada vez mais relevantes, por aqui são temas relegados a segundo plano, abandonados nas gavetas dos gestores públicos.

"Precisamos preservar as encostas", alertam os ambientalistas. "Que nada,  BH tem que crescer",  devolvem os defensores do desenvolvimento a qualquer custo. "Nossos fundos de vale estão ameçados", insistem os urbanistas. "Que bobagem", retruca quem considera a preocupação com o meio ambiente coisa desimportante, sem resultados práticos. Essa é uma queda de braço que sempre pendeu para o lado de quem não se importa com a natureza e, hoje, 2,5 milhões de belo-horizontinos pagam um preço muito elevado por conta dessa opção.

O Arrudas, em BH

Os problemas no período chuvoso aumentam de intensidade de ano a ano. Todos, sem exceção, provocados pela interferência humana. Rios aprisionados em canais, construções em encostas, impermeabilização do solo, destruição de áreas verdes, enfim, são inúmeros os erros cometidos no processo de ocupação de Belo Horizonte. Sem ser pessimista, afirmo que a situação é muito complicada, mas mantenho a esperança ao dizer que para todas as dificuldades que listei aqui há soluções de engenharia e urbanismo capazes de reverter a degradação.

Tomemos como exemplo os cursos d'água que cortam BH, como o Arrudas, o Acaba Mundo, o Vilarinho, o Córrego da Serra, o Córrego do Leitão e outros. Todos cobertos por asfalto, aprisionados em uma caixa de concreto e aço.  Hoje é consenso entre os urbanistas e ambientalistas que canalizar rios não é a melhor solução. O mais indicado é deixá-los a céu aberto e investir em sua despoluição e revitalização. 

O Rio Han, na Coreia do Sul, é o maior exemplo de sucesso em termos de recuperação de rios, mas há outros, como o Sena, em Paris, o Tâmisa, em Londres, e o River Walk, em San Antônio, no Texas. Áreas de lazer e socialização ocuparam locais antes poluídos e inacessíveis à população. São projetos ambiciosos, mas sempre é preciso dar um passo a mais, projetar o futuro, caso queiramos uma cidade sustentável e menos vulnerável a  desastres naturais.

O Tâmisa: ícone inglês 

Quanto à impermeabilização, no Brasil trocar calçamento por asfalto virou símbolo de desenvolvimento, de pujança econômica. Só esqueceram que, em uma cidade de relevo acidentado, a enxurrada desce as encostas,  ganha força, se torna mais volumosa até chegar à parte baixa, onde arrasta carros, leva o asfalto, invade lojas e casas, traz prejuízos e, não raro, fere e mata. Da mesma forma, os gramados e quintais deram lugar ao concreto. Estruturas  que retêm a água da chuva até que ela transborde e inunde tudo.

São inúmeras as soluções já disponíveis para reduzir a impermeabilização. Asfalto e concreto porosos, pisos recicláveis, sistemas auxiliares de drenagem, enfim, uma gama extensa de recursos tecnológicos que podem e devem ser usados em obras públicas e particulares.  Há materiais de custo inferior à pavimentação rígida tradicional.  Mas é preciso que gestores públicos e cidadãos se conscientizem da necessidade de mudar a forma como a urbanização de BH foi e continua sendo tratada.

Não falo como político. Tampouco tenho a intenção de ser o oráculo que oferece soluções mágicas para questões complexas. Sou tão somente alguém nascido e criado nesta cidade e apaixonado por ela. Me preocupa e me entristece muito ver os dramas e os sobressaltos que todos vivemos a cada temporada de chuva, a cada temporal de verão. Há muito o que pode ser feito para diminuir esse temor e fazer da capital um lugar mais sustentável, tranquilo e focado no futuro.

#chuva

GABRIEL AZEVEDO (COLAB ESPECIAL)

FOTOS TAMISA Wikipedia/Reprodução - ARRUDAS/ José Carlos 

 




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COMENTÁRIOS (1)


rufinoestela@yahoo.com.br - 26/03/18


Depois me perguntam porque





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