OLHO NA CIDADE

PAMPULHA DO GUALTIERI É PURA BOSSA17/07/18

FOTÓGRAFO RELEMBRA OS BONS TEMPOS

Essa semana Eduardo Faleiro conversou com o fotógrafo Henrique Gualtieri. Ao nosso colaborador, que está na correria para a CASACOR Minas 2018, ele contou um pouco sobre a sua Belo Horizonte. Curioso? Confira!

Nós, belo-horizontinos, somos privilegiados de viver ao redor do Circuito da Lagoa da Pampulha patrimônio cultural da humanidade, pela UNESCO.

 Sou nascido na década de 80 e cresci na região. Os prédios de Niemeyer marcaram profundamente a minha formação cultural e pessoal.

 Domingo era dia de ir para o Iate Tênis Clube com minha família. Céu azul, palmeiras e toda aquela azulejaria linda e muito marcante. Foi lá que aprendi a nadar e frequentar as matinês de carnaval, me divertindo bastante por muitos anos. Costumávamos almoçar no restaurante da Casa do Baile. Tinha um buffet elegante, com toalhas brancas e uma batata recheada com creme de ervas que ainda habita minhas memórias de infância. Jamais consegui decifrar aquela receita a ponto de reproduzí-la em casa...

A charmosa Casa do Baile

 Entre 2006 e 2012, o Museu de Arte da Pampulha passou por uma fase incrível que incluiu diversas exposições importantes, shows de musica gratuitos aos domingos e o programa Bolsa Pampulha, incluindo residência artística vários artistas brasileiros como Daniel Escobar, João Castilho, Paulo Nazareth e Efe Godoy. Regina Silveira por exemplo chegou a adesivar insetos gigantes em todas as janelas do museu. Já Éder Santos espalhou pelo salão principal dezenas de tótens iluminados com projeções de nuvens.

 Diversos shows lindos aconteceram nesse período. Me lembro de forma especial do Jazz do pianista alemão Vana que parecia falar com os dedos através das teclas do piano. Nunca vi ninguém tocar daquela maneira. 

O Museu de Arte da Pampulha visto do outro lado da Lagoa

A Igrejinha São Francisco de Assis que, além da belíssima arquitetura, ainda conta com trabalhos belíssimos de Portinari na fachada e também no seu interior. Os quadros da Paixão de Cristo são todos pintados pelo artista e no altar, um painel enorme que vai do chão ao teto mostra um a figura de um São Francisco pobre, magro, sofrido, em meio aos brasileiros de Portinari e até um cachorro de rua. É uma cena lindíssima. Não podemos esquecer que por tudo isso a Igreja permaneceu por 14 anos proibida ao culto católico.   

 

A Igrejinha São Francisco de Assis

 Dos meus 14 aos 17 anos, fazia aula de Remo Olímpico na lagoa. A aula começava às 5:20 da manhã. Todas as terças e quintas eu via o sol nascer de dentro da lagoa, às 7:30 da manhã eu já estava no colégio, com a energia renovada. Bons tempos em que era possível nadar na Pampulha...

 Já um pouco mais velho, fazia parte da Associação Ciclística da Pampulha, que ainda se mantém ativa. Um pelotão com de mais de 100 ciclistas se unem para 3 voltas na lagoa, totalizando 54Km de muita diversão.

 Enfim, o Conjunto Arquitetônico de Niemeyer foi muito importante na formação do meu olhar como fotógrafo, como amante da natureza, das artes e da relação entre as pessoas. Usufruir dos espaços públicos de nossa cidade nos faz cidadãos mais conscientes e muito felizes.

 

#napampulha

 

EDUARDO FALEIRO (COLAB ESPECIAL)

FOTOS HENRIQUE GUALTIERI




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