ND AMA

A BELEZA OCULTA DO CENTRO15/04/18

Gabriel Azevedo conta sobre suas andanças por Belo Horizonte

Um dos prazeres que tenho ao caminhar ou pedalar pelo hipercentro de BH é admirar o prédio que hoje abriga o Museu da Moda da capital, na Rua da Bahia, 1.149, esquina com Avenida Augusto de Lima. Além da beleza das formas arquitetônicas da edificação, sua história me chama a atenção. Afinal, o "Castelinho da Rua da Bahia", como é popularmente conhecido, foi a primeira sede da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

A obra teve início em 1911, com o objetivo de abrigar o Conselho Deliberativo de Belo Horizonte, denominação que se dava à época às câmaras municipais, e a Biblioteca Municipal da capital. A inauguração se deu em 1914, mas, de acordo com alguns pesquisadores, o serviço só foi efetivamente concluído em 1917. Como se vê, infelizmente já naquele período havia a prática de inaugurar obras incompletas.
Entre idas e vindas e avanços e retrocessos da democracia no Brasil, alternando períodos de livre funcionamento das instituições políticas no país com hiatos de autoritarismo e fechamento das casas legislativas, a Câmara Municipal de BH permaneceu abrigada no belo prédio da Rua da Bahia até 1973. Na sequência, foi transferida para um imóvel na Rua Tamóios, que já não mais existe e, em 1988 passou a ocupar a sede erguida na Avenida dos Andradas, em Santa Efigênia, onde está hoje. 

Costumo dizer aos amigos que sou um arquiteto frustrado. Confesso minha paixão pelas formas de algumas edificações da capital e, modestamente, digo que conheço a história de muitos desses prédios. Cito os edifícios Sulamérica e Sulacap, na década de 1940, símbolos imponentes da arte do arquiteto italiano Roberto Capello, que veio para o Brasil fugindo do fascismo. Mas há outros, como o edifício Ibaté, o primeiro arranha-céu de BH, o Acaiaca e os prédios residenciais do trecho formado pela Avenida Augusto de Lima, Rua Espírito Santo, Rua Tupis e Rua São Paulo.


Cresci e vivo no hipercentro, muita gente já sabe disso, e desde sempre me lembro de andar pela região. Mesmo assim, a cada vez que ergo o olhar me encanto com o que vejo. E o "Castelinho da Rua da Bahia" está entre meus favoritos, repito. Uma razão a mais para admirar o prédio é a história pitoresca sobre a instalação de um elevador no local para a visita dos reis da Bélgica a Belo Horizonte, em 1920.

           

O "Castelinho" era a construção mais alta da capital e a proposta era instalar o elevador para que os soberanos do país europeu pudessem acessar o segundo andar e ter uma visão privilegiada da cidade e da Serra do Curral. Por um erro dos responsáveis pela compra, o equipamento adquirido não tinha as dimensões corretas e não pôde ser instalado. O elevador está exposto no Museu Abílio Barreto e nunca foi usado. Com o passar dos anos, os espigões ao redor ocultaram a vista que se tinha do alto da primeira sede da Câmara Municipal, mas sua beleza permanece intacta.

Também é curioso ver que muitas pessoas, ao passarem diante do prédio, fazem o sinal da cruz, achando que ali é uma igreja. Acredito que o fato do "Castelinho" ser uma construção em estilo manuelino contribui para esse pequeno equívoco. Quem tem um olhar mais atento também irá perceber que o brasão de Belo Horizonte continua sobre o pórtico,  em uma sinalização das ótimas condições de preservação do imóvel histórico, tombado pelo Iepha e pelo patrimônio do município.

#BH

GABRIEL AZEVEDO (COLAB ESPECIAL)

FOTO MUMO/REPRODUÇÂO




COMPARTILHE A MATÉRIA


COMENTÁRIOS




MENSAGEM




FACEBOOK