COLUNA DA CHEFE

GALERIA CELMA ALBUQUERQUE TEM NEWS!11/02/17

Espécie de diva do galerismo mineiro, a herdeira de Celma Alburquerque falou com a gente

Referência para a arte contemporânea em Minas Gerais, a galeria Celma Albuquerque sofreu um grande baque no fim de 2015, com o falecimento de sua criadora – Celma já passara o bastão para os filhos há tempos, mas sua partida balançou as estruturas. Recentemente, o espaço perdeu um vizinho nobre, a loja do Inhotim se mudou de endereço, deixando o conjunto de lojas construído pela família Albuquerque com pinta de abandono. Em tempos de pós-verdade, falou-se que tudo por ali iria fechar, inclusive a galeria. Há sempre quem propague a má notícia com mais vigor que a boa. Por isso resolvemos convidar a galerista Flávia Albuquerque, herdeira ao lado do irmão Lúcio, para falar um pouco sobre galeria, Savassi, artes e a cidade, em nossa segunda entrevistaND, seção que vai ao ar toda quinta, por aqui. Veja abaixo os melhores trechos dessa conversa que durou hoooras. 

Low profile total, Flávia topou encarnar uma diva para as lentes de Márcio Rodrigues

Celma fechando, que história é essa...?

Pois é, a gente fica sem saber de onde surgem essas histórias, mas eu ouvi isso também. Na verdade, o fechamento da loja do Inhotim pode ter gerado isso, junto com os problemas do fim do ano que foi complicado para todo mundo.

Mas não procede, certo?

De jeito nenhum. Eu comecei a trabalhar com 15 anos na galeria. Eu e meu irmão não nos vemos fazendo outra coisa que não sermos galeristas. Mamãe era uma colecionadora. Sabe quando o bichinho te pica? Ela colecionava tudo: arte contemporânea, arte popular... Ela tinha essa alma, eu não, eu sou galerista. Além de tudo, ela foi muito generosa conosco, passou a galeria para o meu nome e do Lúcio e nos colocou para trabalhar. Ela teve essa generosidade.

Lúcio, Flávia e a mãe Celma (foto Arquivo Pessoal) 

E agora tem até um restaurante na galeria?

A gente sempre ouve dos que vêm de fora que temos um jeito de receber diferente, muito caloroso. Então, no ano passado, resolvemos fazer essa cozinha, que fica no escritório, e teve a consultoria da Agnes Farkasvolgyi.  A ideia é aproximar as pessoas de forma mais afetiva. Afinal, não tem nada que uma taça de vinho não amenize. Já fizemos um jantar com a Marise Rache, do D´artagnan, era um evento da Talento, para clientes especiais.  A história aqui não é para fazer festão e não fizemos muito barulho porque não estávamos em clima de festa, por conta da morte da mamãe.

Sobre vizinhança...

O Inhotim é uma perda, mas vem novidade por aí. Em breve, vai ter uma livraria, um projeto grande, e até uma loja de vinhos da Dulce Ribeiro, da Rex Bibendi. Isso me deu até uma animada.

Um pouquinho da galeria em temporada de exposição

Como é a vida no ar refrigerado da galeria?

É muito trabalho, tem dificuldade como todas as outras, mas a gente ama. E tem momentos divertidos também. Um dos casos mais divertidos da história foi quando o jogador Leão, que era técnico do Galo, veio à galeria. A gente olhava pela vitrine e via muitas carinhas lá fora, olhando. Eram os atleticanos, claro!  A visita recente do (artista) Efe Godoy, que veio me visitar vestido de capivara, causou a mesma coisa.

O que vem por aí?

Estamos trabalhando essa entressafra, eu costumo fazer uma exposição de acervo, que é super bem-cuidada, como qualquer outra exposição, antes do Carnaval. Depois, começamos as exposições do ano e as feiras. Nosso trabalho prevê muita antecedência e o primeiro semestre já está todo fechado, já trabalhando com o segundo. A primeira mostra será de Nazareno Rodrigues e Duda Moraes, no Projeto Mezanino, que ocupa o segundo andar.  

Com tanto tempo de janela, como vê a cena atual de BH?

Sou sempre Pollyana, otimista. Eu acho que BH está criando um grande profissionalismo, somos um reconhecido pólo de artes visuais que fica no interior do país, entre Rio e São Paulo. Mas, se for para pensar hoje, o Palácio das Artes está com exposições bacanas, o MAP também e a gente está vendo exposições incríveis no CCBB. O  Inhotim .... Você chega e vê arte contemporânea da melhor qualidade que não se vê em lugar nenhum do mundo.  Na galeria, a gente pretende continuar com o calendário e vejo as outras galerias fazendo a mesma coisa. 

Para fechar.... a questão Dória, arte de rua, muralismo, pichação...

Foi um grande engano. É muito diferente expressão artística de crime. Crime é depredar o patrimônio. Tem muita gente ali que faz trabalhos comissionados e tem respeito internacional. Isso foi tão mal visto mundo afora. Vi pessoas em Berlim e Londres dizendo que São Paulo é uma referência para eles. Em Belo Horizonte, também temos uma turma muita boa, fazendo coisas muito boas. Gosto da arte urbana.

#divadasartes

NATÁLIA DORNELLAS

FOTOS: MARCIO RODRIGUES E DIVULGÃO CA 

 

 

 



COMPARTILHE A MATÉRIA


COMENTÁRIOS




MENSAGEM




FACEBOOK