GENTE

UM PAPO COM A CRIADORA DA MAMACOCA22/01/18

Nome criativo para se ficar de olho, Livia Basile conversou com o site

Paulistana, 31 anos, Livia Basile é uma figura ímpar em que vale a pena ficar de olho. Designer de acessórios, ela é cineasta formada pela Universidade Federal de São Carlos, e, há nove meses, escolheu BH (para a nossa alegria!) para aprimorar sua linguagem artísticas e estar mais perto das gemas mais lindas do mundo - como ela mesma disse. Criadora de peças cheias de estilo e fora da caixa, ela também é performer e no fim do ano passado passou pelo Japão. Em uma pequena entrevista ela conta tudo ao site. Confira! 

Um nome pra ficar de olho!

 

Site ND: Livia, fale dos acessórios... você é formada em cinema. Como tudo começou?

Livia Basile (LB): Após me formar em cinema, sentia falta de uma produção artística mais voraz. No universo audiovisual tudo funciona de modo perfeitamente orquestrado, todos têm uma função e passam meses preparando para dias ou semanas de gravação onde nada pode dar errado. O resultado final usualmente é visto muito tempo depois. Esse processo não me satisfazia. Geminiana inquieta, queria contar histórias rápidas, onde imediatamente poderia corrigir defeitos, onde poderia olhar, tocar e sentir o que estava sendo feito a todo momento. Buscava um processo mais material do que virtual. A partir daí, usei meu conhecimento em figurinos para fazer pulseiras e nunca mais parei, a joalheria começou como um processo sob medida onde cada pessoa me conta sua história particular para eu poder criar. E as coleções funcionam como pequenos filmes em que cada joia é uma cena de um universo específico. 

De olho nas peças da Mamacoca

                  

 

Site ND: Sua marca tem uma nome diferente, de onde vem Mamacoca?

LB: Em 2012, já havia começado a fazer algumas peças e estava totalmente encantada com as profecias de fim de mundo sugeridas pelos Mayas. Neste mesmo ano fui ao Peru e, encantada por toda história mezoamericana, decidi que o nome da joalheria viria da viagem. No museu dos incas, depois de ter sido curada do mal estar das montanhas inúmeras vezes pelo chá de coca, me deparei com uma imagem falando dos diversos usos da folha. São cerca de 11 mil utilidades diferentes! E no mundo ociental focamos em apenas duas, o refrigerante e a droga que devasta famílias. Pensei, como pode uma das plantas mais sagradas de nosso continente não ser reverenciada como tal? E pergunto, não acontece o mesmo com o ser humano? Temos milhões de potenciais, nascemos puros e aos poucos por influencias externas nos corrompemos? Nos perdemos? Mamacoca fala disso, de resgatar a essência e beleza interna de cada um. De dar luz àquilo que merece ser resgatado. 

ND: Você também faz performance, é uma artista. Conta um pouco deste trabalho?

LB: Ano passado voltei a estudar musica e é incrível como uma arte leva à outra. Quanto mais estudava, mais fácil ficava o processo criativo. Comecei a compor, a dançar, a esculpir e isso se refletia instantaneamente nas joias. Está tudo interligado. Ao mudar para Belo Horizonte, queria fazer vídeos explicando por que escolhemos a cidade, ainda embebido desse olhar puro, de turista. E pensei. Existem milhões de vídeos que podem falar sobre a cidade, como eu posso falar sobre a cidade em um olhar único? E assim a primeira vez que dancei foi na Casa do Baile, meu lugar preferido de BH. Dancei por cerca de dois minutos, despretensiosamente e, ao acabar, cinco guardas locais bateram palmas. Fiquei tocada pela possibilidade de inspirar esse sentimento nas pessoas pela cidade. De extremo amor pelo local e liberdade de expressão. 

        

 

 ND: E a sua ida para o Japão? Conta tudo!

LB: A viagem ao Japão é a realização de um grande sonho. Fiquei um mês com meu parceiro e sócio,  que descendente de japoneses. Inicialmente o plano era comprar pequenos achados para levar à nossa loja em BH (hoje a Mamacoca criou uma loja dentro da loja da Plural, com uma sala zen repleta de joias e itens de bem-estar). Com o sucesso dos vídeos, decidimos continuar explorando essa linguagem com pequenas historias pela cidade. É uma forma das pessoas poderem ter um contato mais intimo e lúdico com o Japão e para experimentar formas de arte corporal características do país (como o butoh e kabuki). Foram 30 dias de vivência com lançamentos de vídeos semanais em nosso canal do YouTube (aqui).

Serviço:

Macacoca na Plural

Onde: rua Maranhão, 78, Santa Efigênia

Instagram: @mamacocalife

Site: www.mamacoca.com.br

YouTubewww.youtube.com/channel/UCqQ0czVeMK7-rPSZArf8Pyw/videos

 

#olhonela

 

JR MENDES (DA REDAÇÃO)

FOTOS ACERVO PESSOAL 




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