OLHO NA CIDADE

'OS COLOSSOS' SULACAP E SULAMERICA24/02/18

Arquiteta lembra sua infância pelas ruas do centro da capital

Na coluna anterior (relembre), Eduardo Faleiro contou aos leitores do site sobre a nova proposta deste espaço: que é dar voz a um profissional das áreas de arquitetura, design, urbanismo e até comunicação, que terão como missão apresentar um pouco do que apreciam na cidade, esse universo cercado de histórias, memórias, e pequenas contemplações.

A convidada desta semana é a arquitetura Ângela Roldão. Confira! 

Ângela Roldão conta sobre a sua BH

"Quando éramos pequenas, Sônia minha irmã e eu, íamos com nosso pai, Antônio de Abreu Rocha, professor de letras clássicas (imagine!), quase todo sábado à livraria Itatiaia na rua da Bahia. Era lá que se encontravam políticos, escritores, professores e amantes dos livros, como nosso pai. Proseavam, trocavam informações, novidades, tomavam um cafezinho...

O dono, Edson Moreira, tinha - não me lembro qual - um parentesco com Ziraldo que encantava a criançada e me ofereceu, um dia, um desenho original e autografado do Galileu, personagem de sua revista PererêFiz um sucesso danado na escola!

Veio daí e da casa meu amor pelos livros e livrarias... Depois do papo, das brincadeiras e do café descíamos, nosso pai, alguns amigos e nós, pela rua da Bahia e nos encantávamos sempre, principalmente os adultos, pelos edifícios Sulacap e Sulamérica (um colosso! segundo eles), na esquina da av. Afonso Pena. A mais bela das esquinas do centro.

Os edifícios, do arquiteto Roberto Capello, foram construídos em 1946/47, em estilo art-deco. Em seu projeto original possuía, entre os dois prédios, uma “perspectiva admirável” (Professor Abreu) para o viaduto de Santa Tereza, uma passagem para o Parque Municipal e uma escadaria belíssima e impressionante. Principalmente para nós, crianças.

Prédio Sulecap

  

Não sei qual infeliz prefeito permitiu que se construísse em sua praça interna aquela excrescência arquitetônica que hoje impede a vista do viaduto e do parque.

Segundo meu amigo Pedro Pederneiras, e eu concordo com ele, é obrigação da prefeitura desfazer este malfeito. Que se derrube aquele horror de prédio e se devolva à cidade o espaço que lhe foi tomado!

Ilustração fofa!!

  

 

Gostaria de acreditar que isto fosse possível. Confesso, mais uma vez, meu ceticismo em relação à sensibilidade de quem hoje nos governa... Que tal como sugeriu Pedro, organizarmos um movimento?

Ah! A livraria Itatiaia acabou, seu dono morreu. Meu pai também. Mas, meu gosto pelos livros e a boa arquitetura não...

 

EDUARDO FALEIRO (COLAB ESPECIAL)

FOTOS DIVULGAÇÃO 



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COMENTÁRIOS (6)


Lena pinheiro - 26/02/18


Ótima matéria e concordo com Pedro. Seria maravilhoso ....



Junior (primo) - 22/02/18


Angela excelente reportagem e boas lembranças daquelas maravilhosas arquiteturas. Seu pai que merece todo crédito destas memórias, como vc disse, realmente foi grande professor e pai impressionante de afeição. Se precisar de apoio na reconstituição da paisagem destruída conte comigo, sucesso.



Suzana Rosenthal Rocha - 22/02/18


Amei a reportagem. Muita saudade daquela época, que é a nossa historia...



Renato Faria - 22/02/18


Top demais!!! Mas, partindo da Ângela Roldão eu não esperava nada diferente. Tudo que ela faz é com muita competência e inteligência. Bj, Renato Faria



Angela roldao - 22/02/18


Therezinha,que bom! Meu pai ficaria feliz!



Theresinha - 22/02/18


Oi Ângela gostei demais da matéria.... fiquei lembrando aqueles tempos passados... muita saudade de seu pai...... Abraços. Theresinha,





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