MODA

COM A PALAVRA, RENATA MANSO! #ENTREVISTA15/09/17

Saiba tudo sobre o universo - fantástico - da Anne Est Folle

Nome por trás da grife Anne Est Folle,  Renata Manso tem mestrado em artes pela Université de Paris VIII, especialização em moda com Marie Ruckie no Studio Berçot, uma das mais conceituadas escolas fashion do mundo, trabalhou no Trend Union - leia-se de Li Edelkoort e um dos bureaus de tendências mais famoso do mundo. Atualmente no comando de sua grife, que é um dos jovens nomes de peso do line-up do Minas Trend, ela nos contou como tudo começou, como funciona a participação dela e da irmã Ludmila Manso, que por conta de projetos paralelos ajuda em momentos pontuais na marca, o que vem por aí e muito mais. Confira!

 

Renata é nome por trás da Anne Est Folle

 

ND: Renata queria que você começasse contando de você. É mineira? Que idade tem?

 

Renata Manso (RM): Sim! Sou mineiríssima e fiz 43 anos agora, dia primeiro de agosto.

 

ND: Conta um pouco da sua trajetória profissional até chegar à moda. Sei que você inclusive morou e estudou em Paris.

 

RMEu sou formada aqui, na UNA, em comércio exterior, trabalhei muito tempo na área de finanças e marketing. Quando recém-formada, trabalhei até em banco. Depois trabalhei na extinta Telemig Celular, que foi uma época muito interessante, com uma moçada jovem também muito interessante que fazia festas na cidade. A turma do Movimento Balanço na época... Hoje sou casada até com um dos sócios do Movimento Balanço. Mas eu só o conheci depois que voltei da França. Aí cinco anos depois da Telemig Celular eu fui pra França, cheguei lá em 2003 e, lá, comecei como estudante, fui para estudar artes.... Sempre gostei de moda, mas queria ir pra lá para absorver cultura, sempre gostei de cultura, seja ela estética, artística, de história da arte e tudo... Queria mais base neste tipo de formação. A moda veio como uma continuidade. Fiz cinco anos de arte e dois de moda, paralelamente trabalhando pra me sustentar lá. Trabalhei num Bureau de Estilo, a Trend Union da Li Edelkoort, onde eu fiz estágio na revista de moda chamada Key. A gente produzia tudo, até as imagens que iam para as revistas, que eram várias, eram feitas lá dentro. Tinha muito artista lá dentro, sabe...

 

ND: Paris foi o que fez vocês trilharem o caminho do fashion?

 

RM: A gente sempre curtiu moda. Mas não era nada muito objetivo. Ah... O nome da marca inclusive vem de lá, mas não fomos pra Paris pensando muito em moda, havia uma vontade em fazer alguma coisa juntas, mas não era algo calculado. Nada pensado.

 

ND: E em que momento a marca nasceu?

 

RM: Eu sou uma pessoa muito sistemática, faço tudo com muito método, então eu voltei pra BH e não tinha expectativa de arrumar um emprego aqui. Voltei pensando em desenvolver uma coisa minha. Até pelo contexto da cidade. Já sabia que seria de moda.  Cheguei e não tinha rotina estabelecida ainda na cidade, morava com os meus pais. Aí instalei um “ateliêzinho” lá, onde eu fazia umas modelagens, mas continuei estudando aqui, fiz vários cursos de modelagem e desenvolvendo formas... Que inclusive a gente usa até hoje. As formas que eu acreditava e que eu acredito até hoje, que a gente vai atualizando a cada coleção, suspende, deixa um tempo sem usar, insere outras. Mas muita coisa surgiu desta fase, nessas pesquisas. Eu modelava, costurava e fazia todo o processo. Isso em 2010. E usava as coisas que eu mesma fazia e as pessoas gostavam do que viam, pediam uma peça ou outra. E aí em seguida eu peguei uma sala pra poder apresentar para as amigas de forma mais profissional.

 

ND: Anne Est Folle em tradução literal quer dizer: “Anne está louca”. Explique?

 

RM: É isso mesmo! Era assim muito fácil em francês, mas as pessoas aqui têm muito dificuldade em pronunciar. Na hora que rolou, esse nome me pareceu muito óbvio. Surgiu num papo que a gente teve um belo dia na minha casa “Se a gente tivesse uma marca como seria o nome?”, porque desde sempre eu procurava um nome e pensava: “E se um dia eu tiver uma marca, como vai chamar?” e pensei em tantas possibilidades e nenhuma delas encaixava. Um dia surgiu essa pergunta: “O que você gosta?” numa mesa com várias pessoas, e eu pensei gosto dos anos 1920, os anos loucos, da moda da Chanel, da época que começou o surgimento desta mulher como a gente conhece hoje. A mulher contemporânea foi em 1920, quando ela começou a trabalhar, usar calça jeans... E foi aí que começou a virar essa mulher que somos hoje... Só que tinha um francês na mesa com a gente que sugeriu "Faz uma brincadeira então! Brinca com Anne é louca, Années Folles” e Anne Est Folle se pronuncia do mesmo jeito. Ah, legal, gostei do nome da época e incorporamos. Foi minha irmã que defendeu e acreditou nele. Hoje eu não consigo pensar em outro.

 

O desfile da marca no último Minas Trend

ND: Como funciona o seu trabalho e o da sua irmã na marca. Conta um pouco como vocês dividem tudo?

 

RM: A minha irmã vem se afastando da marca já faz um tempo, ela tem uns projetos paralelos, então ela não participa do dia a dia da Anne Est Folle. Ela aparece pontualmente pra ajudar na comunicação, catálogos, ela cuidava do Instagram... Eu sou muito presente na marca, muito ainda depende de mim. Minha equipe é pequena, de cinco pessoas. Eu consegui chegar num ponto de produção em que o ateliê está bem-estruturado, o ritmo de produção, o controle de qualidade, está fluindo muito bem. E eu estou conseguindo, com isso, ficar mais com a parte de gestão. Eu fico mais tranquila com a parte de produção. Mas sou eu que ainda cuido da criação, desenho as estampas, os modelos... Trabalho muito! Minha irmã entrou pontualmente em todas as coleções pra ajudar em lançamentos, nas sessões de fotos. Ela dá muita opinião na criação também. Ela tem uma visão e um senso estético espetaculares.

 

ND: Defina a mulher Anne Est Folle?

 

RM: Que pergunta difícil! É uma mulher nova, não de idade, de conceito. É difícil ainda captar sabe? Eu fico pensando em algumas mulheres que eu conheço... E a gente hoje em dia não tem muito acesso ao público final, porque a gente vende para as lojas e elas distribuem. Já estamos em mais de 20 pontos de vendas no Brasil. A gente tem um shape que acabou se adaptando muito com os fluidos. Ela tem consciência da escolha dela. É confortável, veste uma pessoa que preza pelos movimentos, pela liberdade de expressão, em todos os fatores, tanto expressão corporal quanto intelectual, até emocional. É uma mulher mais livre até. É uma mulher que não é construída pelo homem, pelo estereótipo masculino, sabe? Acho que algumas estilistas hoje no mundo estão começando a falar de uma mulher que é a opção da mulher. Como ela quer ser mostrar enquanto mulher, sabe? E não enquanto mulher para agradar o homem.

 

O estilo da mulher Anne Est Folle

ND: Quem seriam essas estilistas?

 

RM: A Phoebe Philo é a primeira, está no topo da lista. Até arrepio quando penso nela. A Consuelo Castiglioni, agora ela até saiu da Marni, mas pra mim ela é um ídolo. Mas acho que essa mulher talvez esteja muito mais incorporada na Phoebe que na Marni. A Stella McCartney é outra. A Prada e a Miu Miu, apesar de ainda carregarem algo que o homem ainda procura. Apesar deste homem hoje em dia também estar mudando. Os homens mais atuais não estão necessariamente procurando aquela mulher de outros tempos....

 

ND: Me conta, vem desfile por aí? Novos planos?

 

RM: Sobre o desfile, calma! Vamos ver. Rs. Mas temos novos planos: tem o e-commerce, que estou cozinhando ele por cerca de seis meses, venho passando outras demandas na frente e ele vem ficando pra trás. Não tem um projeto muito maior não, mas estruturar a marca, o nosso comercial, que de certa forma já é um projeto e tanto. Risos.

 

#falouedisse

 

JR MENDES (DA REDAÇÃO)

FOTOS ACERVO PESSOAL/ AGÊNCIA FOTOSITE




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