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EXTRA: VIRGÍLIO ANDRADE EM #ENTREVISTAND30/06/17

Estilista conta as novidades que estão por vir e um pouco de sua história

Com 33 anos, esse mineiro de Patos de Minas foi figura-ícone da noite belo-horizontina, já morou em São Paulo, tem passagem pelas principais semanas de moda do país e agora está com novidade das boas. Virgílio Andrade é o personagem da vez da entrevistaND e conta várias histórias and novidades. Confira os melhores trechos da nossa conversa!

SiteND: Muita gente já te conhece, mas se apresenta, conta um pouco de você...

Virgílio Andrade (VA): Então, eu tenho 33 anos, um pouquinho velho. Risos. Me formei em 2010 na FUMEC. Sou de Patos de Minas, vim pra BH para estudar em 2001. Na verdade eu queria fazer artes cênicas, mas não tenho o dom de interpretar. Nós viemos por uma situação não muito boa: o meu pai estava doente e resolveu fazer o tratamento aqui. Compramos um apartamento, minha irmã já estava aqui estudando e fez artes cênicas. E eu vim fazer o segundo grau. Aí surgiu a história do Eletroclash...

SiteND: Então, ia te perguntar exatamente isso. Porque você criou um personagem que era bem conhecido nos primórdios da noite alternativa, bem no início da cena underground da cidade e foi bem icônica: a Dama Dorme.

VA: Era um personagem onde eu utilizava o guarda-roupa da minha mãe, a memória afetiva dela. A primeira performance que eu fiz, usei uma blusa de lurex – porque minha mãe se casou de terninho  e usou por baixo do terno... Eu me mudei e já comecei a sair na noite, era uma música mais pesada. Mas na verdade foi uma necessidade minha e de uma turma de amigos de se montar e começar a sair... Era um questionamento de identidade de gênero. Não foi à toa que eu descobri o guarda-roupa da minha mãe e da minha irmã nessa época.... A minha mãe tinha um cabelo laranja, ela era um pouco transgressora na minha cidade, era a esquisitona, tinha cabelo curto e usava calça jeans. Sempre foi pra frente, era maquiadora. Quando ela ficava se maquiando, eu ficava observando... Mas o personagem surgiu pra questionar os valores da época. Já tinha um questionamento de gênero. Eu e os meus amigos criamos uma cena que chamava Eletroclash Barroco Rococó Mineiro, que foi uma referência muito forte do que estava acontecendo em Londres e Nova York...

Dama Dorme era ícone da noite alternativa de BH

Site ND: Mas por que o nome Dama Dorme?

VA: Pra brincar com "dama", uma palavra feminina, digamos assim, num corpo masculino. Aí começamos a fazer festas.  E a coisa ficou séria. Tinham as performances que era grotescas, as bichas não entendiam muito. Não tinha Lady Gaga ainda. Não tinha essa história do grotesco, do feio que pode ser bonito. Então todo mundo ficava meio sem entender. Já pari minhoca, já comi um frango na FUMEC, já simulei sexo com coração de boi. Mas tinha uma ligação muito forte com a memória afetiva do guarda-roupa da minha mãe. 

Site ND: Depois que formou você foi pra São Paulo trabalhar no Samuel Cirnansck, em 2010, né? Já saiu e foi trabalhar com ele direto?

VA: Sim! Saí de BH para trabalhar com ele. Ele viu meu TCC, mandei meu portfólio, meu currículo, e ele se interessou pelo meu trabalho, pela forma que eu trabalhei roupa e corpo. Já fui com uma malinha sabendo que eu ia ficar lá. Fui pra lá muito sem saber o que era o mercado daqui. Até porque, durante a faculdade, eu tinha certeza que ingressaria na carreira acadêmica. Aí fiquei com o Samuel dois anos. E lá ele fazia noiva, mãe de noiva, madrinha... Mas eu não fiquei nessa parte: eu era assistente dele no que era feito para o São Paulo Fashion Week, porque ele só trabalha sob medida, então não tem essa coisa de tirar pedido, não tem várias peças iguais nem nada, não tinha produção. E eu fiquei coordenando a confecção dessas roupas. Foi meu primeiro contato com a moda festa.

Aqui as coleções da Virgílio Couture na Casa de Criadores

Site ND: Em 2012 veio a Virgílio Couture. Conta como foi essa mudança?

VA: Quando eu saí de lá (do Samuel), mandei o meu projeto para a Casa de Criadores e, de cara, entrei para o projeto LAB. Não sabia que ia se chamar Virgílio Couture, mas sabia que seria esse "street-festa". Não era esse festão que é hoje, era uma roupa mais futurista, mais reta, mais assexuada, não tinha tanta feminilidade, não era sexy e eu não bordava tanto também. Ai eu sai do projeto LAB e fui para o line-up oficial da Casa de Criadores. Nesse meio tempo, fiquei sabendo do projeto da Terezinha Santos dentro do Minas Trend e fiquei com uma necessidade muito grande de vender. A última coleção que eu desfilei entou para o Ready To Go, com o stand coletivo. Desfilei três vezes no LAB e duas no line-up oficial e pedi para o André Hidalgo para sair, pois queria focar em venda. Ele, inclusive, não gostou... Depois voltei pra São Paulo, tava sem grana e com isso a Isabela Starling, que era minha melhor amiga, entrou como sócia da marca. Com a nossa outra participação de cara a gente abriu 21 pontos de venda. Em 2015, a gente fez a última coleção da marca e resolvemos dar um tempo, ai a Isabela resolveu fazer noiva e eu voltei para BH.

SiteND: Daí você começou a fazer várias marcas, certo?

VA: Sim! Mas sabia que isso iria adormecer e ela voltaria em outro momento. E de cara entrei na M. Rodarte e no Victor Dzenk, em 2016.  Recebi, nesse meio tempo, uma proposta da Vide Bula. Eles queriam começar com uma moda festa, boate, "periguetismos", uma roupa mais sexy.

Site ND: Conta mais sobre a volta da Virgílio Couture?

VA: Resolvi voltar com ela em dois formatos. O sob medida e a coleção-cápsula. Em abril eu atendi uma cliente antiga da marca e, de lá pra cá eu atendi mais duas clientes que pediram vestidos sob medida. Eu não acredito mais que a gente tem que criar uma coleção a cada seis meses. Acho que a gente precisa de um respiro maior entre uma coleção e outra. Aproveitei também para me reciclar, fiz cursos de estamparia, de bordado, não quero fazer só roupa. Quero também trabalhar com outras vertentes da moda. O mundo já tem roupa demais... Não quero comprar 50 m de tecido, usar 10 e deixar o resto encostado. Estou pegando também vários tecidos antigos de família com bordado de linha e vou transformar isso em vestidos, blusas, saias, coletes... Que tem uma ligação com upcycling, com o reaproveitamento. Venho pensando em novos formatos para apresentar essas peças. Não quero nada muito nos modelos tradicionais. A ideia é apresentar essa história nova em setembro, com peças quase numeradas, uma vez que serão feitas de acordo com a quantidade de tecido disponível. É uma marca pautada pela criatividade, pela cultura e com o conhecimento. Trabalhar com a cultura regional, bordados antigos, de família e subvertendo a ordem de materiais e tecidos.

 

Estilista voltou para BH e está cheio de novidades

#olhonele

 

JR MENDES (DA REDAÇÃO)

FOTOS ACERVO PESSOAL




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COMENTÁRIOS (1)


Virgílio Andrade - 27/06/17


Obrigado pelo carinho queridxs Jr e Natália!





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