OLHO NA CIDADE

BH: TÁ CALOR AÍ? AQUI TÁ QUENTE, PELANDO05/10/18

Atento ao dia a dia da cidade, Gabriel Azevedo adverte sobre o aquecimento

A Primavera chegou e trouxe o calor. Para mim, que tenho uma bicicleta elétrica para me locomover de casa para a Câmara Municpal e sou obrigado a usar terno e gravata durante o período das reuniões plenárias, o desconforto fica maior, pois a temperatura em Belo Horizonte é cada vez mais alta. Mas não sou apenas eu quem sofro. Quem usa o transporte público da capital, por exemplo, enfrenta um drama muito maior. Da frota de quase 2,9 mil ônibus, apenas 70 têm ar-condicionado. Uma parcela ínfima, que precisa ser ampliada com urgência.

E o pior é que o excesso de calor será cada vez mais presente nas regiões metropolitanas. Vários meteorologistas e estudiosos do clima afirmam que as grandes áreas urbanas estão se transformando em zonas de calor e é necessário adotar medidas para evitar que a situação se agrave.  Na capital, entre as causas do aumento do calor, de acordo com a análise dos pesquisadores,  estão a pavimentação asfáltica das vias, a construção de prédios cada vez mais altos, a supressão de árvores, o uso de vidro espelhado nas fachadas dos prédios e o excesso de veículos

Quem circula pelo Hipercentro ao meio do dia, no momento em que o sol está a pino, sabe bem do que os estudiosos falam. É uma das áreas mais quentes da RMBH justamente por reunir todas as causas enumeradas nas avaliações dos meteorologistas: asfalto, concreto, falta de árvores e veículos queimando combustível.  Em países mais desenvolvidos, o combate às ondas de calor é levado a sério e tratado como assunto de saúde pública já há algum tempo. No Brasil, entretanto, o tema ainda é visto como irrelevante.

Em Nova York, por exemplo, a prefeitura anunciou em agosto do ano passado investimentos de US$ 106 milhões para melhorar o clima na cidade. A maior parte desses recursos está sendo investida em plantio de árvores, mas há outras medidas em implantação, como a construção de tetos verdes e a recuperação de áreas verdes degradadas. Em Chicago, como solução contra o calor, a prefeitura decidiu pintar de branco a pavimentação das ruas, para tentar reduzir a temperatura. Isso sem falar nas iniciativas pessoais, de empresas e fundações, todos preocupados com os riscos que as altas temperaturas trazem e buscando reduzir seus efeitos.

Na nossa capital, essa conscientização ainda é bem restrita. Muita gente trata as árvores como problema e quer a supressão das que causam algum tipo de incômodo.  A administração municipal não faz campanhas educativas, não tem planos para incentivar medidas mitigadoras por parte das pessoas, órgãos públicos e empresas, nem programa para preservar as áreas verdes já existentes e implantar mais.  É uma visão pequena das complicações que a elevação das temperaturas traz. Está na hora de começarmos a mudar tal realidade.

 

 

GABRIEL AZEVEDO

FOTOS: ANDREA MONTEIRO 

 

 




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