ND AMA

É HORA DE CUIDAR DAS PRAÇAS #BH02/04/18

Nosso colunista Gabriel Azevedo está de olho nas praças da cidade

Bancos de madeira, árvores copadas, sorveteiros,  crianças brincando, casais de namorados,  idosos conversando, gente simplesmente vendo a vida passar mais devagar. Todo mineiro traz na memória, mesmo que tênue, a lembrança de uma praça.  É um traço marcante de mineiridade, sinônimo de aconchego e tranquilidade.

A praça da minha infância, por exemplo, é a Praça da Liberdade. Era lá  ou no Parque Municipal que eu, morador do Centro, costumava ir, levado por meu pai ou minha mãe ou em companhia de colegas de escola e amigos do prédio onde vivia. Além de espaço para brincar, a Praça da Liberdade, de tanta importância na história de BH, foi o local onde vi inúmeras espetáculos  de teatro infantil e de música, sempre encenados no coreto.  Sem mencionar os passeios no fim de ano, pra admirar a iluminação natalina.


Me lembrei disso ao passar pela Praça da Liberdade, pedalando, nesta terça-feira.  Notei a diferença da paisagem causada pela supressão dos ciprestes que sempre fizeram parte do cenário da praça mais famosa da capital. E, mais uma vez, pude constatar como os administradores públicos cuidam mal dos nossos espaços de convivência. A Praça da Liberdade não é mais um lugar que dá prazer a quem a frequenta. Nem o fato dela ser tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) garante a sua preservação.


A deterioração da Praça da Liberdade não é recente. É resultado de anos e anos de abandono por parte dos órgãos públicos. Foi divulgado que o governo de Minas e a PBH pretendem se unir para restaurar o local. O anúncio foi feito antes do carnaval e, até agora, não avançou. Espero que se a previsão se torne realidade, mas lamento dizer que a restauração da Praça da Liberdade, caso venha a se concretizar, será uma exceção à regra. Dezenas de espaços públicos de BH sofrem com o mesmo abandono e não há perspectiva de revitalização.

Um dos maiores ícones da cidade, Praça da Liberdade precisa de mais carinho 


Recebo quase que diariamente reclamações de pessoas incomodadas com o descaso com que as praças são tratadas. Praça da Assembleia, Praça de Santa Tereza, Praça do Papa e Praça Raul Soares são apenas alguns dos locais de convivência da cidade que precisam ser urgentemente restaurados, conforme pedem frequentemente as pessoas que querem um lugar confortável e seguro para se exercitar, levar os filhos, passear com os animais de estimação, ler ou apenas relaxar.


Entretanto, creio que tais obras não serão executadas em um prazo curto ou mesmo a médio prazo. Não há recursos em caixa, o déficit do município em 2017 foi de cerca de R$ 310 milhões e, mesmo que houvesse dinheiro, no Brasil há uma visão historicamente distorcida a respeito da importância de recuperaçãoo de espaços públicos. Erroneamente, a meu ver, alguns gestores públicos e uma parcela da população consideram que tais obras não são relevantes.


Entendo que praças bem cuidadas, iluminadas e com segurança são ferramentas eficazes de inclusão social, convivência e sustentabilidade.  Nos Estados Unidos, em países europeus e asiáticos, a parceria entre poder público, fundações educacionais, organizações não governamentais e iniciativa privada tem valorizado cada vez mais a restauração e a ocupação de tais espaços. Praças e parques são bons para a convivência, a prática de exercícios físicos e para a economia local. 


Como apaixonado confesso por BH, só espero que a conscientização sobre essa realidade venha o quanto antes. A cidade e seus moradores agradecem.

GABRIEL AZEVEDO (COLAB ESPECIAL)

FOTO ANDREA MONTEIRO

 



COMPARTILHE A MATÉRIA


COMENTÁRIOS




MENSAGEM




FACEBOOK