OLHO NA CIDADE

MAIS ATENÇÃO AO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO02/09/18

De olho na cidade, nosso colunista fala do abandono de prédio importante

Em pleno centro de Belo Horizonte, uma das construções mais imponentes da cidade completa 100 anos em 2018 e agoniza sem que haja previsão de restauração. Falo do prédio do Instituto de Educação, totalmente abandonado, e que se tornou símbolo do descaso das autoridades mineiras em relação à qualidade da educação e à preservação do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais.

 

Há poucos dias, ao passar de bicicleta pela Afonso Pena, parei por alguns instantes e fiquei olhando a situação lamentável da edificação, os muros pichados e com rachaduras, as paredes precisando de reparos urgentes.

 

Me lembrei de imediato do período em que fui aluno da instituição, então um modelo de educação e conforto no ensino público estadual. As quadras de esporte em que brincávamos na hora do recreio, as salas de aula bem cuidadas, arejadas e bem conservadas. Tudo isso fez parte da minha infância e veio à memória enquanto observava as condições degradantes do edifício. É quase impossível crer que uma instituição de ensino de tanta qualidade e tradição tenha chegado a tal estado de degradação. Por mais que Minas Gerais venha enfrentando problemas financeiros já há algum tempo, é inaceitável o que fizeram com o Instituto de Educação.

 

Já recebi vários pedidos de ajuda de professores, ex-professores, alunos e ex-alunos do IEMG. Como vereador, minha atuação fica limitada, pois trata-se de uma escola estadual, diretamente subordinada à Secretaria de Estado de Educação. A Câmara Municipal não tem poder nem autonomia para agir e pressionar o futuro governador para que a restauração do Instituto de Educação seja definida como prioridade. O atual governo, vivendo seus últimos quatro meses de mandato, não fez nada e só terá tempo hábil para qualquer ação concreta para a restauração caso seja reeleito.

 

Mas há outras iniciativas cidadãs nas quais posso atuar, como cidadão de BH e ex-aluno do Instituto. Creio que a criação de movimentos de ex-alunos, ex-professores, profissionais da educação e personalidades da história do colégio é um caminho factível e que pode trazer bons resultados por meio de negociações e busca de soluções financeiras que permitam a execução das obras de recuperação da infraestrutura física e da qualidade do ensino do IEMG. O que não pode ser permitido é que se essa situação de abandono, que vem desde 2015, permaneça por um período mais longo.

 

GABRIEL AZEVEDO (COLLAB SUPER ESPECIAL)

FOTOS: ANDREA MONTEIRO



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