OLHO NA CIDADE

PRÉDIOS DE QUE PRECISAMOS CUIDAR #BEAGÁ09/09/18

Nossa colunista mapeia importantes edificiações da cidade e seus acervos

Por causa de décadas de omissão e abandono, a história brasileira pagou um preço elevado demais com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite de domingo. Praticamente todo o acervo do museu mais importante do país virou cinza e trouxe às pessoas que se batem pela preservação da cultura uma preocupação a mais: como está o estado de conservação dos principais prédios que guardam a memória do Brasil? Há risco da repetição da tragédia do último domingo? O que as autoridades federais, estaduais e municipais estão fazendo para se certificar que não ocorrerão outros sinistros?

Tal temor é justificado diante da revelação de que, por anos a fio, os governantes que se revezam no Palácio do Planalto não deram a devida atenção ao Museu Nacional, o maior e o mais significativo do país. Tanto é que o último presidente a visitar o prédio agora destruído pelo fogo foi JK, na década de 1950. De lá para cá, o museu recebeu verbas cada vez menores, foi administrado por apadrinhados políticos dos mais diversos partidos. Enfim, foi deixado de lado, apesar do valor do seu acervo. Sem mencionar as péssimas condições operacionais dos bombeiros do Rio de Janeiro, sem equipamentos adequados, sem água, impotentes diante da rapidez e dimensão do fogo.

O MAP merece a nossa atenção

Em Belo Horizonte, de acordo com reportagens publicadas nos últimos dias, a pior situação é a do Museu de Arte da Pampulha, que aguarda o início das obras de restauração. Inaugurado na década de 1940, o prédio projetado por Oscar Niemeyer e com jardins planejados por Burle Marx é uma obra de arte reconhecida internacionalmente e qualquer dano à sua estrutura seria irreparável. Perto do MAP, embora não seja museu, a Igreja de São Francisco de Assis é outro bem cultural e histórico que inspira cuidados. No momento, a igreja está fechada à visitação para execução de obras de restauração. Espero que o imóvel tenha os equipamentos necessários para protegê-lo de um incêndio.

A Igrejinha da Pampulha também é alvo do nosso colunista 

O Museu Abílio Barreto, na avenida Prudente de Moraes, é uma construção que está em bom estado de conservação e, pelo o que me informaram, não há maiores riscos de um incêndio de grandes proporções. Já na avenida Álvares Cabral, o Museu da Imagem e do Som (MIS) abriga mais de 70 mil itens. São materiais altamente inflamáveis, como documentos, filmes, fotografias e vídeos. É um local que deve receber proteção extra, justamente em razão das características do seu acervo.  Em 2017 a PBH anunciou a intenção de retirar o acervo do local e usar o imóvel para outro fim, mas, felizmente, houve reação dos movimentos de proteção à memória da cidade e o museu permaneceu no local.

O Arquivo Público Mineiro, na avenida João Pinheiro, a Biblioteca Pública, na Praça da Liberdade e o Presépio do Pipiripau, localizado no Museu de História Natural da UFMG, na Região Leste da cidade, são outros prédios históricos da capital que merecem uma inspeção meticulosa do Corpo de Bombeiros. Todo cuidado é necessário e não podemos esquecer que o Palácio das Artes teve que ser reconstruído depois de um incêndio de grandes proporções na década de 1990 e que o Museu de Ciências Naturais da PUC foi gravemente atingido pelo fogo em 2013.

GABRIEL AZEVEDO (COLLAB VERY SPECIAL)

FOTOS: HENRIQUE GUALTIERI (IGREJINHA), JOMAR BRAGANÇA (MAP)



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