OLHO NA CIDADE

HORA DE OLHAR PRA SERRA DO CURRAL #SOS20/08/18

Gabriel Azevedo faz um chamado aos belo-horizontinos

Já pensaram como seria Belo Horizonte com a Serra do Curral destruída, repleta de crateras feitas pelas mineradoras? Felizmente isso ainda não ocorreu, mas se nós, belo-horizontinos, não nos articularmos para proteger esse patrimônio natural, em poucos anos as mutilações serão irreversíveis e a beleza da serra só poderá ser vista em imagens antigas.

O ataque mais recente à Serra do Curral veio de uma empresa que retirou milhões de toneladas de minério na área próxima ao Taquaril e à Mata da Baleia. Foi uma ação de destruição metódica, por muitos anos, só cessada depois da mobilização de vários setores da opinião pública e da interferência do Ministério Público, que conseguiu na Justiça a interrupção da devastação.

A Câmara Municipal de Belo Horizonte, graças à atuação do vereador Gilson Reis, interveio no caso, fez vistorias no local e conseguiu criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a extensão dos danos e a omissão dos órgãos públicos, que deixaram a situação chegar a tal estado de gravidade. Sou um dos signatários do pedido de criação da CPI e acredito que a atuação do Legislativo Municipal poderá ter grande peso na interrupção definitiva da destruição e na requalificação da área já devastada.

A ação da Câmara se reveste ainda de maior importância porque o governo estadual e a Prefeitura de Belo Horizonte não se posicionaram sobre o tema. No caso do Estado, responsável pela concessão da licença para que a mineradora causasse danos tão sérios, entendo que caberia uma investigação profunda sobre as condições em que a autorização para a exploração minerária foi concedida e a imediata formação de uma equipe para cobrar da empresa a pronta recuperação da área danificada.

Quanto à PBH, esperava que as autoridades municipais fossem as primeiras a se manifestar pela imediata interrupção da exploração de minério no local, em razão dos impactos em um patrimônio tombado pelo município e também pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Qualquer dano de porte na estrutura da serra terá efeitos na capital, mesmo que a destruição ocorra na área pertencente a Nova Lima. A Serra do Curral é patrimônio da RMBH e é dever da prefeitura da capital defender esse valioso bem natural.

Mas, inexplicavelmente, como a administração municipal ignorou a questão, cabe a nós, moradores de BH, cuidarmos do resgate da Serra do Curral. E como fazer isso? Cobrando e sugerindo a criação de leis mais protetivas e eficazes. É incompreensível que, na segunda década do século XXI, seja permitida a extração de minérios em áreas fundamentais para o equilíbrio do clima, a sobrevivência da fauna e da flora e, o principal, a proteção de mananciais responsáveis pelo fornecimento de água. 

A mobilização comunitária em torno de organizações civis, fortalecendo a atuação dessas instituições, também é igualmente eficaz para impedir a continuidade da destruição da serra. Como cidadão belo-horizontino e legislador comprometido com a proteção do meio ambiente e a sustentabilidade de nossa cidade, farei tudo o que estiver a meu alcance para que a CPI tenha êxito e celeridade, e participarei de todas as iniciativas possíveis para ampliar as medidas de preservação e requalificação do patrimônio natural que emoldura a capital.

GABRIEL AZEVEDO (COLLAB ESPECIAL)

FOTOS: ANDREA MONTEIRO



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