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MARY ARANTES PÕE SEU BLOCO NA RUA #FOLIA18/03/19

Existe uma Carnaval que vai muito além das fantasias divertidas, uma festa que inclui e muda a vida de muita gente

O que cabe em um carnaval, além de purpurina, confete, fantasias, sair de si, desse nosso personagem rotineiro e diário?

A cada ano me convenço da importância desses dias em que aparentemente nos esquecemos de todos os problemas e nos jogamos ali, em blocos, levados por uma multidão embriagada de alegria e muita provocação.

A cada ano me convenço da rua como palco, cada vez mais politizado, do gesto cada vez mais pensado, do ritmo cada vez mais em alerta, do carnaval como ato revolucionário! São camisetas, músicas e fantasias usadas em defesa de, ou contra, corpos como verdadeiros outdoors.

Nos acessórios, sempre confeccionados com imagens, desta vez, brincos e arranjos de cabeça ostentaram frases, dizeres, palavras que gritaram por nós.

A escola de samba Mangueira emocionou a todos, contando a história que o Brasil não leu nos livros, uma história revisitada a contrapelo, como disse Sabrina Sedlmayer.

Ana Maria Coutinho e Reinaldo Martiniano Marques têm dois filhos especiais e me contaram do desejo de levar Bia e Pedro para a primeira experiência no carnaval de BH. Isso aconteceu na Quermesse de Carnaval que organizo e, bem à nossa frente, estava a marca Miêtta, na arara, uma camiseta com a palavra “Normal", escrita invertida, de cabeça pra baixo. A fantasia estava pronta, bem ali à nossa frente! Formariam o "Bloco dos Normais"!

Bia e Pedro com os pais, no Carnaval 

Afinal, me respondam: O que é normal? O que é ser normal? Uma empresa sepultar uma cidade, rios, animais e pessoas na lama? Uma mulher ser espancada pelo namorado ou marido, até a morte? É normal a violência a que estamos “quase” nos acostumando? Normal crianças não serem alfabetizadas e famílias não terem nem emprego e nem comida à mesa?!

A estreia de Bia e Pedro vocês vão saber pelo depoimento dos próprios pais, Ana e Reinaldo, que segue abaixo.

Reinaldo me disse que “esse dia apoteótico que viveram, vai durar o ano inteiro”, vai ser contado, sonhado e replicado em fragmentos diários de alegria.

Bia e Pedro, contem comigo pro "Bloco dos Normais", apesar de sabermos do tanto de carnavais que ainda teremos que ir, com o corpo purpurinado e muito suor, pois a luta pela igualdade ainda está longe de ser ganha!

Depoimento dos pais de Bia e Pedro:

“O carnaval de 2019 tem agora um significado mágico na vida do Pedro (25 anos) e da Bia (23 anos), nossos filhos com a síndrome de Down – trissomia livre do cromossomo 21. Eles se divertiram e aproveitaram bastante participando dos desfiles dos blocos carnavalescos. No sábado saímos no "Bloco Du Seu Pai" e "Filhas de Gaby", marcado pela presença e alegria sobretudo das mulheres.

No domingo, desfilamos no bloco "Todo Mundo Cabe no Mundo". Um bloco super inclusivo, com a participação de muitas pessoas com necessidades especiais. Em ambos os blocos, experimentamos a importância do espaço público como lugar da diversidade e da inclusão!

Bia e Pedro se jogaram no "Cabe todo mundo no mundo"

A tomada de consciência da importância de levar nossos filhos para o espaço público vem desde quando o Pedro nasceu. Porque é dando visibilidade às diferenças no mundo público que afirmamos e construímos um sentido comum para suas vidas, fortalecemos laços de pertencimento, defendemos seus direitos e garantias enquanto sujeitos de desejo e cidadãos.

À esquerda, Marcelo Xavier e a família de Pedro e Bia. Na foto da direita, os irmãos com Gaby

Dar visibilidade aos nossos filhos é provocar o outro, diferente de cada um de nós, a fazer o aprendizado de reconhecer e respeitar as diferenças que constituem as pessoas, convivendo com elas. Enquanto pais, nós é que temos de cumprir essa função: mostrar nossos filhos com necessidades especiais no espaço público, que é onde se dão de fato o enfrentamento e a resistência contra os preconceitos de toda espécie.

Como nossa maior e inclusiva festa pública, acreditamos que o Carnaval pode contribuir para a livre expressão humana e cultural e o aprendizado da convivência respeitosa com as nossas diferenças, a fim de construirmos uma sociedade mais solidária e generosa”.

Ana e Reinaldo

 

MARY ARANTES (FOLIONA E COLABORADORA MUITO ESPECIAL)

FOTOS: ACERVO PESSOAL

 



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COMENTÁRIOS (1)


Célia Figueiredo Nogueira Ce - 16/03/19


A melhor expressão contida no texto já fiz tudo:No mundo cabe todo mundo.Excelente matéria!





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