COLUNA DA NATÁLIA

TEM NOVIDADE ''VELHA'' NA CIDADE #BH14/10/18

Cervejaria e restaurante chegam ao Mercado Novo com projeto respeitoso

Esta matéria poderia começar contando que a cervejaria Viela, que fica no Pompeia e virou queridinha, tem agora uma distribuidora no centro nervoso de BH; que o chef Henrique Gilberto montou ao lado uma cozinha de mercado belo-horizontina e que, em pouco tempo, outras tantas operações que têm sinergia estarão abrindo as portas por lá. Mas o projeto do Velho Mercado Novo merece uma narrativa mais cuidadosa.

Henrique comanda a Cozinha Tupis 

Criado no começo dos anos 1960 para ser o Novo Mercado Municipal de Belo Horizonte, o Mercado Novo - que fica na Olegário Maciel - enfrentou vários revezes ao longo dos últimos 50 anos e permanece com a ocupação reduzida até hoje. Mas não há desalento que dure para sempre. Certo? Acabam de desembarcar por lá uma filial da cervejaria Viela, a Distribuidora Goitacazes, e a Cozinha Tupis, que juntas dão força para a chegada de novos negócios do ramo da gastronomia, do mercado criativo e o que mais de bacana e respeitoso houver.  

A proposta dessa turma - os sócios Rafael Quick, Samuel Viterbo, Marcelo Machado e Luiz Furiati - não é renovar o mix de lojas e mudar tudo, tentando parecer com outro mercado famoso qualquer, mas respeitar todo mundo que já ocupa o prédio e fazer o conjunto prosperar. Por ali, para quem nunca se aventurou pelo mercado, tem feira livre da madrugada, que atende os mercados e restaurantes da cidade; gráficas de notas fiscais e lojas de uniformes; fabricante de velas; barbeiro e vários restaurantes que servem comida real, como o bom e velho tropeiro. Afinal o Mercado Novo se tornou conhecido por sua grande oferta de produtos e serviços e pelo baixo preço.

A matéria-prima da cozinha tem espaço de destaque no restaurante 

Segundo Rafael Quick, um dos desbravadores da nova empreitada, o Mercado Novo é um retrato histórico da riqueza cultural dos comércios da região central de Belo Horizonte e, exatamente por isso, deve ser preservado do jeitinho que é.

Como as operações foram iniciadas há pouco, os novos estabelecimentos funcionam de quinta a domingo - com almoço só no fim de semana. Outra boa novidade é o preço. Os pratos da Tupis, comandada por Henrique, começam em R$ 9 e crescem de valor com múltiplos de nove até R$ 45. A cerveja, que pela primeira vez é engarrafada, custa R$ 13. A impressão que se tem é de que eles estão ali desde sempre, ou melhor, que assumiram o negócio criado pelo avô, lá no século passado.

Para quem ficou em dúvida sobre a tal cozinha belo-horizontina, é Henrique quem explica: “Nossa cozinha sofreu influência de várias outras como a síria, a italiana, a cozinha da fazenda...”.

De olho no conceito do slow food e do “buy local”, o cardápio é montado com base no que está à venda no Mercado Novo, tudo é comprado lá. “A gente chega às 5h da manhã, faz a feira e começa a preparar a comida do dia”, conta Henrique, que sugere que os trabalhos sejam sempre iniciados pelo seu pão com manteiga reinterpretado, que também muda de acordo com a feira e quase nunca é um pão de sal com manteiga tradicional.

 Vai uma cerveja Viela aí? Os cascos são reciclados ali mesmo

Se tem sobremesa e cafezinho? Não, ainda! A ideia é da economia compartilhada. “Você toma a cerveja aqui, come ali em frente, toma café no vizinho e come o doce no outro”, explica Rafael.

Em breve por lá uma loja de ervas de coquetelaria, da Yvy, uma papelaria, um laboratório de revelação analógica - que fez as fotos desta matéria -, uma doceria mineira, um cafezinho, uma charcutaria, uma marcenaria, e por aí vai.

Serviço:

Velho Mercado Novo

ONDE: Avenida Olegário Maciel, 742

QUANDO: De quinta a domingo. Quinta e sexta de 18h às 0h, sábado 12h às 0h, e domingo de 12h às 18h

IG: @velhomercadonovo

 

NATALIA DORNELLAS

FOTOS: SUPER CAMÊRA



COMPARTILHE A MATÉRIA


COMENTÁRIOS




MENSAGEM




FACEBOOK