COLUNA DA NATÁLIA

INSTITUIÇÃO SIM, ASILO NÃO! #MAEDOPAI26/02/19

Institucionalizar um pai vai contra tudo que um filho amoroso pensou um dia

“Seu pai é INSTITUCIONALIZADO?”, me perguntou a médica. Foi numa consulta que ouvi pela primeira vez essa palavra que, depois da explicação da doutora, repeli por algum tempo. 

Não, eu nunca colocaria meu pai num asilo. Era esse o meu pensamento há cerca de 1 ano e meio, quando o trouxe para a cidade grande.

No interior não havia mão de obra capacitada para cuidar dele e eu também precisava tê-lo por perto de mim e de bons médicos.

Foram meses de tentativa de montar uma equipe de cuidadores, cozinheira, lavadeira.... fora a logística para ir à fisioterapia, ao fonoaudiólogo e à TO (terapeuta ocupacional). Até eu descobrir que na primeira intercorrência que tivesse e precisássemos ir a um Pronto Socorro, a coisa ficaria ainda mais difícil. Afinal, qualquer reclamação dele me deixava apavorada. 

Foi meu irmão quem falou primeiro sobre a hipótese de deixá-lo passar as tardes numa “casa dia”. 
Segundo ele, nosso pai se integraria, faria atividades e eu conseguiria retomar minha vida que estava meio em "stand by" à época. 

A saga para encontrar um lugar foi longa e a primeira visita a uma “instituição”, traumática. Encontrei um idoso em plena crise epiléptica na portaria e me senti a moça má da novela das 7 que abandona o pai e foge com seu dinheiro.

Conversei com amigos na mesma situação e acabei encontrando uma opção na Cidade Jardim - o bairro é o predileto dessas empresas que procuram casas espaçosas e aconchegantes que sejam bem localizadas. 

Agora era contar pra ele sobre essa possibilidade, que por tempos evitei, e ver no que daria. Esperei o pior quadro possível - apesar de ele ser muito calmo e ponderado - e, para minha surpresa, ele disse que iria conhecer, já que era necessário para eu conseguir escrever mais sossegada.

Na primeira tarde meu pai aceitou o convite da equipe para dormir lá e há quase um ano ele está institucionalizado.

Se ele ama?! Claro que não! Sempre que vem pra minha casa, um dia sim, outro não, vejo que ele gostaria de ficar pra sempre. E toda vez que vou visitá-lo tenho dó de ir embora e sinto uma culpinha danada. Haja coração!

 

NATALIA DORNELLAS

FOTOS: LEANDRO DORNELLAS 

No perfil @maedopai_, no Instagram, compartilho as dores e delícias de cuidar do meu, diagnosticado há alguns meses como portador de "degeneração cortico-basal", um mal parkinsoniano de rápida evolução. Os textos de lá agora terão espaço por aqui também. 



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