GASTRÔ

DO VINHO DA GARRAFA AZUL AO PÃO LÍQUIDO22/05/17

Anderson Freire dá o ponta pé inicial à coluna que vai alimentar os fãs de cerveja

Salve! Salve! Agora, vocês, leitores do ND, já perceberam que vão (ter que me engolir, e bem gelado! Brincadeira...) encontrar mais coisas legais para conhecer neste portal bacanudo de moda, comportamento e boas notícias.

A novidade é que comecei a trazer para cá tudo de bacana do mundo cervejeiro de BH, do Brasil ou mesmo do mundo que está “fermentando” por aqui! (Oi?! “Tá usando?!” rs) Isso mesmo! Há um bom tempo as cervejas extrapolaram as mesas dos tradicionais botecos desta nossa querida cidade que é conhecida como a capital sulamericana deste tipo de estabelecimento, e foi invadir as mais variadas casas, inclusive a sua, com uma enormidade de variações de cervejas.“- Poxa, mas estas cervejas artesanais são complicadas…” . Não! Não são nada complicadas!

Calma! Eu ouvi uma teoria e concordo: nós estamos presenciando em nosso país um processo muito parecido com aquele que aconteceu com os vinhos, há alguns bons anos atrás, quando o Brasil só produzia vinhos de qualidade questionável e o consumo de um rótulo bom era restrito até começarem a importar e popularizar aquele vinho alemão da garrafa azul, “O leite da mulher amada”, (Eu gostava da cópia nacional que tem uma cena erótica no canto do rótulo, rs) depois deste momento tanto os produtores como os consumidores amadureceram e muito! Alguns espumantes nacionais, por exemplo (Inclusive da mesma vinícola que copiou o nome do alemão!), figuravam em 2015 entre os 10 melhores do mundo! 

O famoso vinho da garrafa azul e a tal cena assanhada da sua versão nacional

"Opa! Mas o assunto aqui não é a loira gelada?!" Sim, claro… Loiras, morenas, ruivas… É que apesar de serem ambos fermentados, o vinho depende muito da região, das cepas e principalmente suas safras, já as cervejas feitas com os insumos corretos pela receita (ou mapa) e pelo processo de produção ideal pode ser replicada e até aperfeiçoada, mas, a história com o consumo por aqui tende a seguir o mesmo caminho, só que mais rápido, na velocidade que a informação tem hoje, e eu estou aqui para ajudar! (Yes! We can! Rs) Viram como é simples? Então cole aqui, discuta, pergunte, este universo etílico é tão vasto e interessante que sempre teremos coisas bacanas para beber, aprender e conhecer!

Nos EUA, enquanto o consumo de vinho se popularizava por aqui na garrafa azul, eram as cervejas artesanais que começavam a pipocar. Os norte-americanos pararam de importar as cervejas europeias (talvez pelo mesmo motivo que o lúpulo foi incorporado a receita da cerveja, a cerveja perde sua qualidade no transporte) e criaram um grande movimento das cervejas locais. Hoje, estas craft beers já abocanham quase um quinto do mercado norte-americano, no Brasil ainda não chegamos aos 2%, mesmo assim, tanto lá quanto por aqui estas cervejarias vêm sendo adquiridas pelos grandes players deste mercado multimilionário. Os norte-americanos se especializaram tanto na arte de fazer sua própria cerveja que hoje já pressionam até mudanças na política, com uma grande “base aliada” de lobistas por lá.

Nós, como terceiro maior produtor mundial e conterrâneo do maior destes players estamos atentos às mudanças e só temos a agradecer às aquisições e melhorias, desde que seja um movimento para manter e até ampliar a qualidade desta bebida, que até pode ser mais rústica que o vinho, mas tem um potencial inovador incomparável! Fazer a própria cerveja então é uma boa opção?! Sim, mas como diria o Sandro Duarte, o mestre cervejeiro da Backer e que passou por grandes cervejarias artesanais como a Colorado, “Fazer cerveja não é difícil, complicado é fazer uma boa cerveja!”.

Sandro Duarte, o mestre cervejeiro da Backer

Portanto, não depende só dos melhores insumos, mas de processos de produção importantes como a correta sanitização dos equipamentos e o controle das temperaturas do mosto, a mistura de água, malte e lúpulo que junto às leveduras transforma os açúcares desta mistura na bebida alcoólica e carbonatada que eu gosto de chamar de "pão líquido" - daí o nome desta coluna! Era desta maneira que os monges chamavam a bebida que no período da quaresma os alimentava enquanto jejuavam. Imagina 40 dias apenas bebendo cerveja e meditando?! Que tentação!

Bem, neste espaço vou tentar não privilegiar ninguém, a ideia é falar de novidades, cursos, palestras, lugares, pessoas e principalmente das cervejas que passam por BH, sejam elas das micro, pequenas até as cervejarias gigantes. Acessem e comentem!, O público do Site ND está crescendo, então porque não descontrair e tomar uma boa cerveja harmonizando com o almoço de domingo?! Prost!

ANDERSON FREIRE 

FOTOS REPRODUÇÃO E WEBER PÁDUA (capa)



COMPARTILHE A MATÉRIA


COMENTÁRIOS (6)


Ricardo Terrazas - 22/05/17


Um ótimo texto ! Parabéns!



Janet - 21/05/17


Adorei!



Mary - 21/05/17


Adorando ler essas matérias que "fermentam" e alimentam a alma!



Bento - 21/05/17


Parabens meu caro! Muito bacana o texto. Sandrao é mito. Abraço!



Thiago Faccion - 21/05/17


Muito bom! Excelente matéria, Anderson! Parabéns ao site ND por abrir esse espaço! Vou seguir colado nas dicas cervejeiras da coluna!



juliana bhering - 20/05/17


Repórter Amor arrasando!!! Parabéns Bjus Ju B.





MENSAGEM




FACEBOOK