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PQ O BEAGÁ COOL NÃO É HIPSTER!10/03/17

Batemos um papo com um dos criadores do Beagá Cool que está cheio de novidades

Ele é um dos nomes por trás de um dos projetos mais legais da cidade, nos últimos tempos, o Beagá Cool, e faz questão de frisar que nada tem a ver com apenas ser legal, mas com ser criativo, ousado, original e local – a primeira letra de cada uma destas palavras forma COOL. Falamos com Sérgio Souto (aqui), mineiro de Itaúna, que desembarcou em BH para estudar cheio de receios. 

Nossa conversa se deu em uma tarde de terça-feira, no OOP Café, onde ele contou como tudo começou, como se deu o encontro entre ele, Lenise Regina e Tiago Belotte, que começou o projeto do Beagá Cool e depois se desligou pra se dedicar a outras histórias. A história cresceu e, em breve, vai ganhar espaço físico e outras novidades. Os melhores trechos do bate-papo, você confere abaixo.

ND: Primeiro conta de você. Sabemos que é publicitário de formação. E a sua trajetória?

Sérgio Souto (SS):  Tenho 33 anos e me formei na PUC em publicidade, um curso que sempre quis fazer. Não me arrependo de ter feito, mas assim que formei e fui para o mercado, fui percebendo que o esquema era um pouco diferente do que eu imaginava. Eu acho o meio muito tóxico. Então isso foi me incomodando muito, porque você acha que as coisas vão ser muito colaborativas e não é bem assim. Eu cheguei a ficar quatro anos exercendo a profissão. Até que essa minha vontade de fazer coisas mais somativos começou a ficar mais forte e eu acabei chutando o balde, pedindo demissão e fui viajar... Quando voltei, comecei a trabalhar como freelancer e fazer uns cursos. Um deles foi em São Paulo, como coolhunter, e isso virou uma chavinha e não sabia como colocar isso em prática no Brasil... Fiz o curso e encontrei um amigo, o Tiago Belotte, que achou muito legal, mas ficou dizendo que era uma pena esse tipo de coisa chegar a São Paulo e não aqui. A gente juntou forças... Trouxemos gente para dar o curso aqui, e nisso surgiu a nossa primeira empresa, a Coolhow, em 2011...Em 2013, senti novamente a necessidade de dar uma movimentada e criei o Souto no Mundo eu comecei a escrever sobre as transformações que o deslocamento me proporcionava. Me desliguei da sociedade do Coohow, voltei a fazer freelas, comecei a trabalhar com o Yelp (empresa americana que faz avaliação de estabelecimentos comerciais), onde fui embaixador em BH, e foi mais ou menos nessa época que o Beagá Cool surgiu.

Sérgio Souto é o criativo por trás do projeto Beagá Cool

 

ND: Beagá Cool: conta como tudo começou?

SS: Então, foi do meu encontro novamente com o Tiago e a Lenise, que é formada em Letras e já tinha passado por algumas agências, e pensei "eu estou aqui como embaixador do Yelp, querendo fazer uma festa legal de fim de ano, mas não queria fazer uma festa convencional". O Tiago também estava na mesma. Um dia, conversando, a gente pensou: "por que não fazemos uma festa homenageando os dez negócios que se destacaram na cidade no último ano?", muito para quebrar o discurso de algumas pessoas que insistiam em dizer que BH era uma roça, não tem nada. E a gente que estava na rua se envolvendo com várias iniciativas, via que a cidade estava borbulhando e tinha um monte de coisa acontecendo, só que elas estavam dento das suas bolhas, né?...Quando a gente criou o nome, já pensamos que o COOL poderia gerar resistência e a galera pensar “É o movimento hipster, zona sul...”, e não queríamos cair nisso. Então resolvemos ressignificar e criamos a sigla, mostrando que negócios cool não precisam estar só dentro da av. do Contorno ou na zona sul e começamos a estimular muito esse pensamento, de que a cidade toda é cool e criar uma identidade nova para Belo Horizonte, que até então queria copiar o business de São Paulo, o turismo do Rio e a gente não precisa disso, a gente acredita muito no talento, no potencial criativo  de Belo Horizonte... E aí fizemos a segunda festa e pensamos: "A história tem potencial. A gente precisa pegar esse projeto, transformar num negócio e se dedicar". Entendemos que ele precisava ser um negócio social, a gente precisa remunerar, gerar lucro e todo mundo que trabalha nele precisa ser remunerado...  O Beagá Cool foi relançado, só que em formato de rede. As empresas fariam parte dela e poderiam usufruir de vários benefícios que a gente criou, conexão com mentores de business, de marketing, de branding e de várias áreas.

 

ND: E é nesse momento que surge o Distrito Criativo? São duas coisas diferentes ou o Distrito surgiu em função do Beagá Cool?

SS: Sim! Até porque quando a gente relançou achamos que estava tudo muito virtual, difícil de entender, mas precisávamos lançar. A gente precisa testar, e gostamos muito desta ideia de teste, protótipo. De colocar em prática... A gente nem quer ter um formatinho fechado. Então é assim: o Beagá Cool se relançou como um negócio e a gente chamou essa rede de empresas de Distrito Criativo, só que até então isso era virtual, existiam vários benefícios criados e movimentamos a rede de forma virtual com grupo no Facebook, newsletter... Só que vimos que isso também está difícil. E foi nessa época que o Tiago resolveu se desligar da sociedade, porque precisava também tocar a outra empresa dele, o Coolhow, e ele foi pai também...  Então eu e Lenise acabamos assumindo essa sociedade... E com essa dificuldade no mundo virtual, em outubro do ano passado a gente acabou indo pra Benfeitoria, porque vimos o espaço lá, que era ocioso durante o dia, e com isso perguntamos pra Jordana, que é nossa amiga e uma das sócias de lá, se tinha como a gente fazer um bem bolado, pois estávamos precisando de um lugar físico. E acabamos concordando em usar o espaço em troca da estadia por serviços... Enfim... Foi uma troca muito legal. E depois que nos mudamos pra lá as coisas começaram a acontecer de forma muito inesperada e novos projetos foram surgindo... E a gente entendeu que precisávamos ser fixos e a Benfeitoria já não estava comportando a nossa estrutura.

Lenise Regina é também uma das criadoras do projeto

ND: Estamos sabendo que vem uma história bem bacana no Mercado Novo; conta sobre isso!

SS: Então, passamos novembro procurando um novo espaço. Flertamos com uma casa ali no Floresta, mas a negociação ficou complicada. E foi nesse ponto que surgiu um e-mail do pessoal do Mercado Novo nos chamando pra conversar. E aí criamos um novo projeto, que eu não posso nem falar muito detalhadamente dele ainda, porque estamos num processo de assinar contrato, definir funcionamento... Mas é um modelo que resolve a situação do aluguel que está pipocando na cidade onde ninguém quer negociar, abaixar preço e afins. E foi aí que o Distrito ganhou forma e espaço.

ND: E quem vai estar lá com vocês, já pode contar pra gente?

SS: Não posso contar! A gente ainda não tem contrato com nenhuma delas. Tudo vai ser assinado sábado. A gente aprendeu muito nesses seis meses no ano passado que as coisas não podem ser feitas só no boca a boca e que, por mais que o projeto seja criativo, precisamos também de uma certa formalidade e as coisas caminharem da melhor forma possível pra todo mundo.

ND: Mas você pode contar pra gente: quais são as áreas de atuação das empresas que estarão lá, onde vai ficar o espaço e quando vai abrir?

SS: Arte, arquitetura, cafeteria, design de produto, fotografia, vídeo...Vai ser no terceiro andar.  Eu estava com uma ideia muito otimista na cabeça, mas os arquitetos já cortaram o meu barato. Reforma é uma coisa muito complexa. Me deram uma real, pois talvez só fique pronto no meio do ano. Mas a nossa meta é que seja lançado ainda este ano. E queremos fazer uma campanha de lançamento e um evento oficial. 

ND: A gente gostaria que citasse alguém/algum projeto que seja Criativo, Ousado, Original e Local, e que não foi um dos ganhadores do prêmio da última edição do Beagá Cool, mas que você anda de olho?

SS: Nossa... Cara, o Galpão Paraíso é um projeto muito legal, inclusive, eu conversei com o pessoal de lá pra gente tentar fazer a festa lá, mas no fim das contas a gente acabou optando pela Benfeitoria, pois já conhecíamos a Jordana, e era mais fácil. Mas lá é um espaço muito legal. Nunca foi finalista do prêmio... Já foi citado, mas nunca foi finalista... Mas é um espaço que eu tenho observado muita coisa legal acontecendo.

ND: E uma pessoa?

SS: Eu ia falar a Laura Damasceno, do Chá Comigo, mas a Laura, inclusive, já virou matéria de vocês. Deve estar todo dia no site. Nossa cara uma pessoa que a gente não tenha citado... Acabou que eles foram citados pela gente esse ano e eu fiquei tão feliz e emocionado que eles foram premiados... É o pessoal do TransVest (Tranvest é um projeto artístico-pedagógico que objetiva combater a transfobia e incluir travestis, transexuais e transgêneros na sociedade. Com sede no Ed. Maletta é um espaço queer, onde ocorre: estudos sobre as culturas lgbt, formação de Drag Queens, pré-vestibular para travestis e atividades que fomentem a visibilidade das identidades trans). Pela primeira vez a gente conseguiu fazer um prêmio muito múltiplo que talvez no dia a dia não se encontraria. E quando eu vi eles sendo votados e citados eu pensei, "nossa preciso conhecer eles melhor".  E fiquei muito apaixonado pelo que eles fazem, porque é sem apoio de prefeitura, sem apoio de lei, na raça. E eu fiquei muito feliz deles terem ido e compartilhado esse momento com a gente... 

 

#olhoneles

 

JR MENDES (DA REDAÇÃO)

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COMENTÁRIOS (1)


Julia - 09/03/17


Me lembrei de você!





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