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OCUPAÇÕES, SEGURANÇA E A CIDADE #ALERTA14/05/18

GABRIEL AZEVEDO TRAZ O ACIDENTE PAULISTANO PARA A NOSSA REALIDADE

A tragédia do edifício Wilton Paes de Almeida, que pegou fogo e, na sequência, desabou no Centro de São Paulo, na madrugada de terça-feira, deve servir de alerta para a situação de inúmeros prédios em várias cidades brasileiras. Oficialmente, segundo o Corpo de Bombeiros, uma pessoa morreu e há quatro desaparecidos em meio aos escombros do imóvel, mas famílias que ocupavam a edificação dizem que há mais vítimas.

E por que esse alerta? Porque praticamente todas as grandes cidades do país têm prédios abandonados como o edifício paulista. E o risco de repetição dessa tragédia é imenso, pois construções abandonadas foram transformadas em moradias improvisadas de Norte a Sul do Brasil, sem que as autoridades federais, estaduais e municipais se importem com a gravidade cada vez maior desse problema.

Em Belo Horizonte, por exemplo, a imprensa informa que há três imóveis ocupados na cidade. São mais de 320 famílias morando em construções com rede elétrica improvisada, sem instalações sanitárias decentes e com paredes de madeira ou de papelão dividindo os cômodos. É nestes espaços de alto risco que vivem mulheres, crianças e idosos, à espera de uma solução para o drama da falta de moradia nos centros urbanos.

Os jornalistas não tiveram permissão para entrar nos prédios, mas os bombeiros da capital afirmaram que a possibilidade de repetição da tragédia como a registrada em São Paulo é elevada. Alguns moradores também manifestaram o temor de um colapso na rede elétrica ou outro tipo de problema estrutural que possa causar um desastre.

 

O pior em tudo isso é que os prédios abandonados e ocupados pertencem à União, a quem cabe a responsabilidade de preservar o patrimônio público e cuidar da segurança e bem-estar dos brasileiros. Em São Paulo, o edifício que caiu foi sede, por muitos anos, da Superintendência da Polícia Federal naquele estado. Em BH, um dos prédios, ocupado desde 2015, bem no Hipercentro da cidade, é de propriedade do INSS.

E há outros casos de imóveis abandonados em BH que são uma ameaça à população. Na Avenida Prudente de Morais, na Cidade Jardim, o prédio onde funcionou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) está fechado e é alvo de constantes invasões, roubos e atos de vandalismo. Sem conservação, placas de revestimento se desprendem das paredes e põem em perigo a integridade de quem circula pela via, uma das mais movimentadas da Região Centro-Sul da capital.

A ocupação desses imóveis que não oferecem mínimas condições de segurança e conforto, independentemente do viés ideológico que queira se dar a essa questão, retrata o agravamento de um drama social já de proporções imensas: a falta de moradia. O estudo mais recente sobre esse tema é de 2015, produzido pela Fundação Getúlio Vargas, e informa que o déficit habitacional no país é superior a 7,7 milhões de moradias.

 

#perigo

 

 

GABRIEL AZEVEDO (COLAB ESPECIAL)

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